terça-feira, 5 de maio de 2015

Deus abomina um culto centralizado no homem: Um alerta ao mundo “gospel”.

Por Leandro Louzada

Texto: Malaquias 3.13-18                    

Deus revela através do profeta a diferença entre o justo e o injusto.

Introdução:
Numa certa tarde agradável em Belo Horizonte, estava sentando na calçada quando meu vizinho denominado “Gunga” passou na caminhando cabisbaixo. Acenei com a mão e levemente o saudei, nesse momento ele parou e veio em minha direção, fiquei surpreso com tudo que iria acontecer.
Gunga era evangélico não faltava um culto em sua Igreja, mas segundo ele, as coisas não estavam “andando” na sua vida, pediu para eu orar por ele em minha Igreja e falou algo surpreendente, disse que Deus não se importava com ele, que todos que estavam a sua volta se davam bem na vida e ele um homem que buscava a Deus e ia à Igreja não recebia as mesmas recompensas, não tinha um bom emprego, morava com a mãe e não tinha uma namorada. Deus não se importava com, porque se importasse daria tudo isso para ele.

Essa era a visão do meu vizinho com relação a servir e cultuar o Senhor!

Só recapitulando, o povo havia voltado de exílio na Babilônia havia aproximadamente 200 anos, através de Zorobabel, Esdras e Neemias, em três momentos distintos. Porém ainda estavam sob o domínio Persa, oprimidos, pagando altos tributos, sem bons empregos, o templo do Senhor não tinha a mesma glória se comparado ao construído por Salomão e o Messias prometido não veio.

Deus havia falhado na concepção deles, as promessas não se cumpriram, por isso todos estes problemas culminaram no esfriamento espiritual, negligencia com a lei do Senhor e descaso no culto a Deus.

Malaquias, o mensageiro de Deus, escreve esse livro para resgatar o culto ao Senhor, buscando o arrependimento, confissão de pecados e mudança de direção do povo de Isarel.
O escrito é diferente dos demais livros proféticos, o profeta não aparece dizendo que tem uma mensagem da parte de Deus, afirmando assim diz o Senhor, porém é um diálogo entre Deus e o povo intermediado pelo profeta, uma forma de perguntas e respostas, com direito a réplica e tréplica.

Mas o que o povo estava fazendo contra Deus?
Vimos que Deus amava o povo, eles haviam sido escolhidos por Deus dentre todas as nações, o Senhor zelava por Israel. Mas Malaquias apresenta um povo obstinado, cínico e sem temor a Deus. Um povo que na verdade não conhecia de fato a pessoa de Deus e sua justiça. Tinham uma péssima teologia e por causa disso viviam de forma péssima.

Os sacerdotes não zelavam pelo culto, sendo assim, levavam todo povo a fazer o mesmo, o desânimo da liderança atingiu a maioria dos liderados.

O povo trazia animais defeituosos para oferecer ao Senhor, algo abominável para Deus que exigia o melhor animal, afirmavam estavam cansados, enfadados de prestar culto a Deus, prestavam e conduziam o povo a prestar um culto informal, não ensinavam a lei e faziam muitos a tropeçarem por falta de conhecimento das Escrituras. Diante de todos estes fatos Deus afirma que castigaria os líderes do povo.

Mas também os sacerdotes e o povo estavam deixando suas mulheres e casando com mulheres pagãs, se prostituindo, adulterando e divorciando, estavam quebrando a aliança que fizeram com Deus, rompendo os estatutos, deixando de prestar um culto devido e se lançando aos seus pecados.

Os sacerdotes afirmavam que cultuar a Deus era uma canseira, agora Deus diz, estou cansado do culto de vocês, porque o povo estava questionado a justiça de Deus, dizendo que somente os injustos eram abençoados. Contudo, Deus com muita paciência, mais uma vez responde os profanos afirmando que a recompensa dos justos e injustos estava reservada.

Por fim, Deus afirma que o povo estava o roubando, estavam desviados das leis e estatutos de Deus, porque estavam negligenciando o dízimo do Senhor, este que sustentava os levitas, viúvas e órfãos e festas religiosas da época. E por causa desta ação, Deus estava amaldiçoando, retendo as chuvas, mandando gafanhotos para destruir as plantações, não dando produto na vide e fazendo o povo ficar escarnecido por outras nações. Mas se voltassem a praticar a devolução do dízimo, todas as maldições se reverteriam em bênçãos.
Chegamos à reta final do livro do profeta Malaquias e é sobre isso que o profeta irá tratar a diferença entre o justo e injusto, daqueles que servem e não servem a Deus.
Mas o profeta movido por Deus não partirá de uma perspectiva e compreensão humana, mas divina.

Lembre-se, Deus abomina um culto centralizado no homem
1.      A dureza de um coração obstinado (v.13).
O povo foi muito duro com Deus, usaram palavras agressivas e fortes, uma palavra “duras” no original tem uma conotação de força. A mesma palavra usada várias vezes por Moisés e Deus para encorajar Josué e mais tarde usado por Josué para encorajar o povo. “Esforça-te e tem bom ânimo” (Js 1.9).

1.1. Um povo com a língua afiada (v.13a).
O coração do povo era duro, obstinado, estavam longe de Deus, frios espiritualmente, apegados nas coisas, amantes de si mesmos.
Falavam daquilo que não conheciam e sabiam.

1.2. Um povo cínico e indiferente (v.13b).
Não bastava falar mal de Deus, agora estavam como nas outras vezes, fazendo-se de bobos, fingindo não saber do que se tratava a repreensão de Deus.
Na verdade eles sabiam como estavam, tudo que faziam, o abandono a Deus e negligencia do culto ao Senhor, com estas perguntas queriam mudar o foco do diálogo ou simplesmente fingir que não estavam entendo a repreensão de Deus.

1.3. Refreie sua língua e tenha um coração sincero.
Antes de começar a se lamentar para Deus ou alguém, pense nas suas palavras, muitas vezes somos muito duros com Deus, somos mal agradecidos, nunca estamos satisfeitos com aquilo que Deus nos dá diariamente.
Sejamos sinceros, “a pior pessoa não a que erra, mas a que não reconhece seus erros”. Erramos, mas agimos como se fossemos perfeitos e quando somos questionados fingimos que não sabemos sobre o que se trata a repreensão.
Como está sua língua? Tem agradecido a Deus por tudo ou só fica reclamando da vida?
Você tem um coração sincero? Reconhece seus erros ou finge que está tudo certo na sua vida, mesmo sabendo que está tudo errado?
Lembre-se, Deus abomina um culto centralizado no homem
2.      A incoerência de um coração obstinado (v.14-15).
O povo tinha uma língua afiada e agiam com cinismo e indiferença, Deus mostra para eles o que estavam falando, quais eram as palavras agressivas que partiram dos seus lábios.

2.1. Um povo com problemas de memória (v.14a).
Afirmavam que era inútil servir a Deus, uma coisa vã, no sentido de Deus ser um enganador, falso, mentiroso.
Aquelas pessoas estavam questionando o caráter de Deus, não existia nenhum proposito para viver uma vida para Deus, tudo era simplesmente uma enganação.
Mas como eles esqueceram tão depressa tudo que Deus fez por eles ao longo da história, a preservação do povo quando Adão pecou e depois do dilúvio, o chamado de Abraão ratificando uma aliança de bênçãos para o povo, José no Egito sendo levantado como governador e trazendo sua família (povo de Israel) para o Egito para não morrerem de fome, o êxodo no deserto através de Moisés, livrando o povo da opressão e morte, Josué recebendo o bastão de Moisés e herdando a terra de forma milagrosa, reis levantados para dirigir e purificar o povo, como Davi, Ezequias, Josias, quando tudo parecia perdido um rei piedoso se levantava, a libertação do povo dos Assírios e Babilônios.
Tinham sérios problemas de memória.

2.2. Um povo que adorava a si mesmo (v.14b-15).
Faziam votos e andavam de forma que exteriormente aparentavam contrição e arrependimento, mas não passava de um interesse para obter as bênçãos de Deus.
Veja bem o que estão falando: “Guardamos a lei de Deus e andamos confessando os nossos pecados continuamente”.
Um povo extremamente “cara de pau”, basta lembrarmos o que praticavam: MacArthur afirma que eles, Questionavam a Deus (2.17); desobedeciam a sua lei (2.9); profanavam o altar do Senhor (1.7,12); desprezavam o nome dele (1.6). Mas também eram adúlteros (2.14); roubavam a Deus (2.8).
Cobravam de Deus uma ação e tinham uma falsa piedade, eram hipócritas.
Também questionavam a justiça e soberania de Deus. Assim com fizeram no capítulo 2.17, repetem o questionamento dizendo que Deus é injusto, porque os soberbos são felizes, comentem impiedades e prosperam e tentam ao Senhor e escapam.
O problema é que o sucesso e felicidade para eles estava ligado ao ter, quando obtenho coisas materiais nessa vida sou bem sucedido, tenho as bênçãos de Deus.

Os persas não importam com Deus, são soberbos, cheios de si, não se curvam ao Senhor, mas mesmo assim são felizes, são ricos e a cada dia enriqueciam mais, os altos imposto dava instabilidade para os persas e pobreza para os Israelitas, são prósperos. Praticam o mal deliberadamente, oprimem o povo de Deus, com sua ganância e sede pelo poder passam por cima de tudo e todos, toda via sempre escapam das mãos do Senhor.
Resumindo: Deus é um Deus injusto!
Mas nenhuma afirmação do povo era verdadeira, porque felicidade, prosperidade não estão ligadas a conquistas de bens materiais e poder. E julgamento de Deus não está associado com acontecimentos somente neste tempo, Ele é o Senhor do tempo e da história.
Eles tinham uma péssima memória e adoravam a si mesmos, buscavam a Deus para obter coisas, quando viu que a as “coisas” não estavam aparecendo passaram a ser indiferentes e cínicos.

2.3. Não perca a memória e não preste adoração a si mesmo.
Meu avô foi um dos homens mais amorosos que conheci, sempre que chegava à sua casa ele logo me recebia com um abraço, todos os dias varria a rua onde ficava localizada a sua residência e ficava sentado num banco de madeira na esquina da rua para tomar um sol e “ventinho”. Nunca conheci um torcedor do Atlético como ele, ouvia todos os jogos no seu radinho de pilha e não usava nem aceitava a entrada de roupas e objetos azuis, pois era a cor do time rival.
No fim da sua vida ele teve uma doença chamada Alzheimer, uma doença que leva a pessoa ao esquecimento, perto de sua morte ele não sabia mais quem eu era, nem minha mãe, avó e tios, não ouvia mais os jogos do Atlético, esqueceu-se da sua história.
Algumas vezes somos assim, mas não temos Alzheimer, esquecemos de tudo que Deus fez por nós e nossa família. Pensamos que por causa dos nossos problemas é inútil servir a Deus.

Sabe porque? Porque nossa fé não está em Deus, mas em nós, adoramos a Deus, vamos a Igreja por causa de nós e não de Deus. O culto a Ele não é para honrá-lo e glorifica-lo, mas para conseguir uma ajuda de Deus para pagar minhas contas no fim do mês ou ter minhas dores curadas.
Deus age nas nossas vidas, quando buscamos a Ele sem interesse algum! As portas se abrem os milagres acontecem quando Cristo é glorificado, quando nossa única motivação é a glória de Deus!

Você está pensando em abandonar a Igreja porque está cheia de problemas e as coisas parecem que não vão mudar? Quando você vem a Igreja é por sua causa ou por causa de Deus? Lembre de tudo que Deus fez por você ao longo da sua história? Será que você realmente merecia todo favor de Deus?

O povo de Israel tinha um coração obstinado, por isso era duros e incoerentes com Deus. Lembre-se, Deus abomina um culto centralizado no homem

3.      A herança de um coração temente (v.16-18).
O povo tinha um coração obstinado, eram duros e incoerentes, falavam contra Deus de forma agressiva, achavam que era inútil, vão servir a Deus, suas fé estava alicerçada naquilo que Deus poderia dar não em quem Ele era, ao invés de cultuar a Deus eles se cultuavam. Agora Deus, através do profeta, passa a mostrar a herança de um coração temente a Ele.

3.1. A atenção divina (v.16).
Existia um remanescente, em todos os tempos sempre existiu um grupo (muitas vezes maior) que não temia e amava a Deus, mas sempre também existia um remanescente, um grupo menos que lutava e reprovava as práticas do grupo maior.
Esse remanescente reprovava a ação do líderes de Israel e sucessivamente do povo, não aceitavam a negligencia ao culto, culminando no adultério e divórcio, negligencia com a Lei, a forma que os sacrifícios eram oferecidos, com o roubo a Deus nos dízimos e ofertas, com a audácia de questionar a Deus e afirmar ser inútil servi-lo e a barganha com Deus por parte do povo.
Eles TEMIAM o Senhor assim como:
·         Abraão temeu a Deus e não negou o seu único filho a Deus (Gn 22.12);
·         Jetro orientou Moisés a escolher juízes (homens) que temiam a Deus (Ex 18.21);
·         Uma mulher que teme a Deus deve ser louvada (Pv 31.30).
No sentido de possuir uma profunda reverencia, prestar honra, ter medo.
Eles conversavam uns com os outros, sabiam que Deus agiria e mandaria maldição sobre os injustos, sobre a aqueles que profanavam o nome de Deus, temiam a ação de Deus no meio deles ao ponto de serem atingidos.
Mas Deus estava atento a tudo que falavam, os olhos e ouvidos de Deus estavam em direção à aqueles que o temiam. O profeta diz que na medida que o povo falava Deus estava em suas mãos “o rolo de lembrança”.
O Rolo da lembrança talvez poderíamos fazer uma associação com o livro da vida, aquele que consta o nome de todos que serão salvos (Fp 4.3; Ap 3.5; 17.8; 20.12,15; 21.27).
O povo havia dito que era inútil servir a Deus, esqueceu-se de Deus e de sua ação na história, agora Deus está dizendo, eu não me esquecerei dos justos.

“Os que se lembram do meu nome”
O nome naquele tempo significa a própria pessoa, na sua completude. Aquele remanescente tinha plena convicção e conhecimento da pessoa de Deus. Não falaram contra seu caráter, soberania, ação, justiça, mas lembravam constantemente de Deus mesmo diante do caos e dá aparente encolhimento das mãos de Deus naquele momento da história.

3.2. O tesouro divino (v.17-18).
O nome do remanescente fiel estava no “rolo de lembrança”, eles seriam salvos e preservados por Deus. O Senhor chamará esse grupo de “minha propriedade exclusiva”, “Uma possessão particular”, “Uma joia cuidadosamente trancada”.
Esse substantivo feminino aparece apenas seis vezes no AT, todas as vezes fazendo alusão ao povo de Israel e seu relacionamento com Deus.
Naquele dia (no julgamento de Deus), na separação das ovelhas dos bodes, Deus separará seu povo, que já está guardado de forma cuidadosa.
No Novo Testamento Pedro usando o texto de Êxodo 2.9 na sua primeira carta no capítulo 2.9, aplica essa propriedade exclusiva de Deus a Igreja.
Deus nos ouve e nos guarda, somos o seu tesouro a sua propriedade divina.

“Pouparei vocês como um pai poupa seu filho que o serve”
Geralmente naquela época um filho que servia seu pai fielmente era poupado de alguns afazeres. Assim Deus poupará os seus filhos da sua ira e condenação.
Mas os injustos não serão poupados!
Receberão sua recompensa e todos verão a diferença entre os que servem a Deus e os que não servem!

Conclusão:

Deus não é injusto, não é inútil servia a Deus, mesmo diante das dificuldades e intemperanças da vida, quando nós buscamos a Deus e vamos a Igreja não é por causa de nós, mas de Deus, amamos e servimos por amor, vivemos para Ele e para glória dele!
Podemos descansar em Deus, sabendo que ele está atendo para tudo que fazemos e falamos e nós pertencemos a ele, somos a sua propriedade, seu tesouro!

Aplicações práticas:
1.      Não temos o direito de sermos agressivos com Deus, questionar é diferente de agredir;
2.      Nosso cinismo nos levará a ruínas, Deus abomina nossa falsidade;
3.      Não se esqueça de tudo que Deus já, faz e fará para você e por você;
4.   Deus não quer sua falsa religiosidade praticada como forma de lucrar ou ganhar alguma “bênção” dele, Ele quer sua adoração sincera a Ele e não a você;
5.      Viver para Deus não é como depositar dinheiro na poupança, os resultados da nossa fé não é os bens materiais que adquirimos, mas a salvação que Cristo obteve na cruz;
6.    Deus não abandona os que o temem e seus nomes estão escritos no livro da vida, você é propriedade exclusiva e guardada por Deus;
7.      Deus nunca será injusto, nossa compreensão de justiça é diferente da compreensão de Deus, ele faz o que bem desejar, com Ele quiser, quando bem entender, uma coisa é certa, os justos serão recompensados com uma morada no céu e o injustos receberão a ira e condenação divina, Deus é um Deus justo.



Um comentário:

  1. Paz do Senhor, irmão Leandro!

    Li seu post sobre o irmão "Gunga" e a reflexão acerca de Malaquias.
    Concordo que a "Teologia da Prosperidade" que é pregada livremente baseada nas Sagradas Escrituras abre margem para uma compreensão materialista das coisas de YHWH e nos limita a compreendermos a verdadeira benção de D'us. Por muito escutamos mensagens do tipo: -Se você não está sendo abençoado, você está em pecado! Creio, no meu ponto de vista, que a graça de YHWH superabunda dos meios supérfluos, se não fosse assim, Paulo não teria escrito sobre escravos ou servos (pessoas das quais ele presenciou uma condição de vida inferior e mesmo assim ensinou da mesma maneira a mensagem do Evangelho).
    Para concluir também creio que, assim como povo hebreu (posteriormente judeu), nosso povo brasileiro também conserva a mesma característica pois isto é intrínseco do ser humano pós-herdado da primeira transgressão de Adam e Hava.
    A única solução razoável para isso é que o povo se torne santo não apenas pela frequência a ekklesia, mas usufruindo do que lhe foi resultado da Reforma Protestante: As Sagradas Escrituras em nossas línguas nativas!

    Desejo que continue falando acerca do nosso Senhor Jesus Cristo!
    Paz convosco!
    Amém!

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