terça-feira, 21 de abril de 2015

O método de crescimento de Igreja de Paulo: Uma análise de 1 Coríntios 2.1-5


Por Leandro Louzada

                   A cada dia surge um novo movimento trazendo algo inovador para revolucionar as Igrejas locais, organizando determinados ministérios, promovendo eventos, capacitando líderes, com o intuito de atrair pessoas e multiplicar o número de membros.
                   Cristo nos comissionou a ir (indo) por todo mundo pregando o Evangelho a toda criatura. Ele disse aos seus discípulos para aguardarem o cumprimento da profecia de Joel 2, onde o Espírito desceria sobre toda criatura, assim eles poderiam ir, proclamar a Palavra de Deus em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra.
É desejo de Deus e sempre foi de multiplicar o Evangelho, de salvar pessoas, de acrescentá-las na sua Igreja.
                  O grande problema está em utilizar métodos e ferramentas para “burlar” a entrada de pessoas na Igreja de Cristo, onde acabamos confundindo um ministério bem sucedido com o aumento da membresia a todo custo, com Igrejas locais inchadas, cheias de pessoas sem um real encontro com o Cristo ressurreto.
                  Hoje quero falar do modelo de crescimento de Igrejas utilizado por Paulo, sei que passaria muitos dias expondo todo o pensamento e ação de Paulo com relação ao tema proposto, porém quero fazer uma exposição do texto de 1 Coríntios 2.1-5, apenas como um apêndice de tudo que deveria ser dito, talvez nos levando a refletir e produzir algo a partir desta pequena reflexão.

                  A cidade de Corinto era uma das mais importantes da Grécia, situava-se num lugar estratégico entre o continente grego e a península do Peloponeso, existia dos portos naquela região e longa estrada usada para transporte de mercadorias.
                  Era um importante centro cultural e religioso, em Corinto existia diversos templos, sendo o mais importante localizado no Acrocorinto (colina), cujo era o centro de adoração à Afrodite, conhecida na mitologia grega como a deusa do amor, onde ficavam centenas de sacerdotisas cultuais, era o centro da imoralidade sexual da cidade.
                 Também a cidade era um grande centro filosófico, existia os famosos debates filosóficos, como forma de competição, muitas pessoas financiavam seus filósofos preferidos. Em Corinto foi fundado os jogos istmos, em homenagem ao deus pesidon, estes realizados de 2 em 2 anos, só perdia em popularidade para os jogos olímpicos de Atenas.
                Nessa cidade que o apóstolo Paulo chega em sua segunda viagem missionária, antes ele havia passado em Filipos, Tessalônica, Bereia e Atenas. Depois de sair corrido de Tessalônica e Bereia e de ser zombado em Atenas, o apóstolo segue rumo a Corinto (Atos 18), ao chegar em Corinto é recebido por um casal chamados Áquila e Priscila, estes que haviam sido expulsos de Roma, através de um decreto de Cláudio, eles dão casa e trabalho para Paulo, e como de práxis passa a expunha as Escrituras todos os sábados na sinagoga.
                 Paulo pregou na sinagoga de Corinto, obtendo certo sucesso inicial, alcançando judeus e prosélitos. Tício Justo, que morava ao lado da sinagoga, Crispo, o principal da sinagoga e muitos coríntos creram no Senhor. Depois da oposição de alguns Judeus a mensagem, Paulo fez aquilo de costume, lançou-se aos gentios. Recebeu uma visão de Deus que dizia que existia muitas pessoas a serem alcançadas naquela cidade, sendo assim, ele deveria proclamar por que o próprio Deus estaria com ele.
                Paulo fica ali por 18 meses, depois navega para Sríria, Cencréia e Éfeso (todas estas de forma rápida), dali partiu para Antioquia, ficou mais ou menos 1 ano naquela cidade, depois passou confirmando os discípulos nas regiões da galácia e frígia.
                Sua terceira viagem missionária inicia-se em Éfeso, onde fica por 3 anos, nesta cidade recebe notícias não muito boas da Igreja de Corínto. Ele escreve uma carta, porém não temos acesso a ela ( 1 Co 5.9).
               Depois disso a Igreja faz perguntas por escrito (1 Co 7.1); pessoas da casa de Cloe informam a situação da Igreja (1 Co 1.11); enviados de corinto Estáfanas, Fortunato e Acaico, visitam Paulo em Éfeso (1 Co 16.17).
               Paulo precisa escrever sua segunda carta para resolver muitos problemas que ficou sabendo através destas pessoas que estava acontecendo em Corínto:
·         Divisões, culto a personalidade;
·         Injustiça , irmãos levando outros ao tribunal;
·         Imoralidade, um homem possuindo a mulher de seu pai;
·         Alimentos sacrificados aos ídolos;
·         Desordem no culto, problemas de inversão de papéis;
·         Dúvidas sobre o casamento, divórcio, viuvez e ser solteiro;
·         Exaltação do dom de línguas;
·         Descrença na ressurreição;

Diante de todo esse contexto, quero me deter apenas em alguns versos do capítulo 2, precisamente do 1 ao 5.
O apóstolo começa a exortá-los com relação aos brigas e divisões que existiam no meio deles relatados pelos da casa de Cloé, afirmando que apresentou o Evangelho da cruz de Cristo e mais uma vez fala da vocação dos salvos, pessoas escolhidas não por suas posições sociais, porém pela vontade de Deus.
Agora ele passa a mostrar o método de crescimento de Igrejas que utilizou em Corinto. Ele mostra que utilizou a pregação do Evangelho, mas de que forma?

1.      A pregação do Evangelho não consiste em argumentação humana (v.1).

Não utilizou métodos humanos para o crescimento da Igreja de Corinto

Paulo não chegou aos corintos com superioridade de discurso ou conhecimento filosófico, para pregar, implantar na mente deles por repetição, exibir aquilo que estava acima da percepção humana, oculto.

Não utilizou os métodos dos filósofos da época, não exerceu aquilo que os cidadãos ricos faziam com relação aos pobres, implantando algo através da injustiça, imposição, da superioridade.

Hoje existem alguns modelos de crescimento de Igrejas que exaltam os métodos e muitos deles retirados de empresas, onde buscam bater metas, abrir franquias, pragmatismo, deu certo lá, vai dar aqui também. Não é porque utilizo a Bíblia que estou fazendo o certo.

Mark Dever disse: “Não é o pregador que faz uma igreja crescer. Deus pode usá-lo”.

Usamos o argumento de utilizar os métodos humanos para alcançar as pessoas, mas Paulo propõe algo diferente:

2.      A pregação do Evangelho consiste na cruz (v.2,4).

O método de crescimento de Igreja utilizado por Paulo é a Proclamação do Evangelho.

“O Crescimento natural de uma Igreja é obtido com a exposição do Evangelho” (Pr. Daniel Batista).

O problema não é o método, mas qual método utilizar para o crescimento de Igrejas. O apóstolo não quis achar o método mais apropriado, excelente para utilizar naquela Igreja, mas o que utilizou foi a proclamação, o implantar na mente dos corintos o Evangelho e este era a cruz, que foi a autonegação, renunciar a si mesmo, exposição da morte a expiação de Cristo. Mostrar sua morte como um criminoso que era pregado em uma estaca, assim como faziam os Judeus e Romanos ao condenar um criminoso a morte.

John Knox disse: “Sempre louvo a Deus que Cristo Jesus seja sempre pregado” – “O Pastor deve compartilhar o pão da vida a almas famintas e desfalecidas”.

Seu discurso não foi de sedução, não usou de métodos humanos para atrair pessoas, não utilizou a sabedoria e métodos que os corintos utilizavam.

O que ele utilizou, o que consistia o seu método de crescimento de Igrejas?

O Pleno conhecimento da verdade do Evangelho, este qualificado por Deus. Transmitido apenas através do milagre, da capacitação de Deus, ou seja, um poder transformador transmitido pelo próprio Deus.

Charles Spurgeon disse: “Se eu tivesse apenas mais um sermão a pregar antes de morrer, seria a respeito de meu Senhor Jesus Cristo. Penso que, quando chegarmos ao final de nosso ministério, lastimaremos que não tenhamos pregado mais sobre ele”.

O método paulino foi a pregação, instrução e anunciação do Evangelho de Cristo.

Paulo não utilizou métodos humanos para o crescimento da Igreja de Corinto, mas a proclamação e exposição das boas novas de Cristo, utilizando esse método o apóstolo fez aquilo que ao exaltar alguns métodos humanos acabamos perdendo.

3.      A pregação do Evangelho sempre glorifica a Deus e nunca exalta os homens (v.3-5).

O método de crescimento de Igrejas de Paulo sempre glorifica a Deus.
Paulo quando afirma que não utilizou métodos humanos para obter sucesso no crescimento daquela Igreja, ele sabia o que estava falando e sua condição quando foi estar com eles.

Ele utiliza três palavras, respeito/honra, agitação e fragilidade/depressão e falta de energia.
No grego quando fobô e tromô são utilizados juntos é para mostrar a intensidade da ação, ou seja, quando Paulo anunciou o Evangelho foi com grande agitação interior acompanhado de grande respeito e reverência. Ele sabia a responsabilidade que era pregar.
Pregou com grande respeito e agitação interior, mas também com fragilidade física e depressão.

Paulo passou por grandes problemas antes de chegar em Corinto como já mencionei acima, mas para lembrar, o apóstolo foi preso e açoitado em Filipos, saiu corrido de Tessâlonica e Bereia, em Atenas foi zombado e mal recebido. Estava fraco, frágil, com problemas físicos e emocionais.

Sendo assim, a glória não poderia ser dele, ele estava e era incapaz, se utilizasse métodos humanos fracassaria, sua mente e seu corpo estavam debilitados, por isso que o sucesso da sua pregação e do crescimento da Igreja em Corinto, apontavam unicamente para glória de Deus.

John Piper disse: “A Pregação é feita para levar pessoas a adorar o Senhor”

Sua fé, crença e método de crescimento não foi fundamentado em sabedoria humana, mas no poder milagroso transmitido a ele pelo próprio Deus.

Nós pastores somos todos os dias seduzidos por novos movimentos e métodos que aparecem para nos ajudar a fazer com que nossas igrejas cresçam, estudantes de teologia, futuros pastores e ministros planejam durante seus anos de estudo pastorear uma igreja grande, organizada, e muitas vezes quando saem do seminário são tentados a buscar métodos de crescimento alicerçados no saber humano.

A Igreja de Corinto mesmo grande e bem sucedida aos olhos humanos estava no caminho errado, exaltando seus ministros e métodos utilizados pelos filósofos, esquecendo que tanto Apolo, como Paulo e Cefas eram apenas os menores servos da Igreja e mordomos dos mistérios de Deus, nada era procedia deles (1 Co 4.1).

Mike Mackiley, escreveu um livro chamado Plantar Igrejas é para os fracos, quero citar uma parte do escrito para finalizar minha exposição:
“Ouça, se você prega uma grande série de sermões temáticos sobre casamento, finanças ou sexo, sua plantação de igreja pode crescer. Se você é um marqueteiro espertalhão e coloca outdoors atraentes espalhados pela cidade, sua igreja pode crescer rapidamente. Você pode usar camisetas das últimas tendências, tingir de loiro as pontas do cabelo e usar um microfone pendurado no ouvido. Mas, se você prega a Palavra de Deus com fidelidade, poucas pessoas serão tentadas a pensar que você é grande. Se você se levanta no domingo de manhã e explica que Jesus, ao perdoar os pecados do paralítico, conforme Marcos 2, estava  afirmando que era Deus e que a única maneira de perdoar os pecados era que Deus em carne tomasse sobre si mesmo a punição de nossos pecados na cruz, as pessoas terão uma de duas reações: elas louvarão a Deus ou pensarão que você é um completo idiota. Este é o fato. Deus planejou agir desta maneira. Você prega, e pessoas são salvas para a glória de Deus, ou a suposta “sabedoria” delas é confundida, e você parece um retardado, também para glória de Deus”.

O que nós como pastores ou futuros pastores, educadores religiosas, ministros de música faremos diante disso? Continuaremos a buscar os métodos humanos ou o método de Deus?

Os homens e seus métodos não são nada, qual é o método de crescimento de Igrejas de Paulo baseado em 1 Coríntios 2.1-5?

A pregação do Evangelho, sem a utilização dos métodos humanos, visando sempre a glorificação de Deus, que dá o crescimento como, onde e quando quiser!




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