terça-feira, 27 de novembro de 2007

A iluminação

Por Leandro Louzada

A iluminação é o ato do Espírito Santo capacitar o crente para entender a verdade dada por REVELAÇÃO e escrita por INSPIRAÇÃO. Paulo diz: "Ora o homem natural não compreendem as coisas do espírito de Deus..." (I Co.2:14). Este homem natural é o homem não regenerado na sua melhor forma, é o homem a quem a filosofia grega elogiava. O homem referido aqui é aquele educado no alto de seus poderes intelectuais, mas destituído do Espírito de Deus. Este homem, cujo poder de compreensão está limitado ao exercício de sua razão, não admite estas coisas espirituais em seu coração. A razão desta rejeição é que elas são loucura para ele. Paulo afirma a impossibilidade de conhecê-las, e a sua razão, porque elas se discernem espiritualmente. Isto é, o inquirir e o analisar da verdade espiritual são dados na energia do Espírito Santo que ilumina a página sagrada da Escritura para o crente. E "Aquele que é espiritual" julga todas as coisas (I Co.2:15). A palavra "JULGA" é a tradução da mesma palavra grega "DISCERNE" do versículo 14. O crente controlado pelo Espírito investiga, pesquisa e examina a Bíblia e chega a uma apreciação e compreensão de seu conteúdo.
João Calvino em suas Institutas, no capitulo primeiro diz:
" Certamente bem outra deve ser a sobriedade dos filhos de Deus, os quais se sentem privados de toda luz da verdade quando não contam com o Espírito de Deus; não ignoram, porém, que a palavra é o instrumento pelo qual o Senhor concede aos fiéis a iluminação do seu Espírito. Porque eles não conhecem outro Espírito que não aquele que habitou os apóstolos e que falou por meio deles. E para ouvir as suas palavras os fiéis são sempre chamados"
Istoé, nunca entenderemos as Escrituras se não tivermos a iluminação do Espírito de Deus. Pois ele que fala em nossos corações, o Espírito de Deus que nos guia e mostra o verdadeiro sentido das Escrituras.Portanto, o que Deus comunica ao homem é o perfeito conhecimento de Si Mesmo e de Suas atividades através do processo do Espírito Santo, que desvenda as verdades que o homem jamais poderia descobrir através da razão humana; mostrando aos escritores da Escritura as palavras exatas de seus próprios vocabulários que irão expressar as verdades desvendadas de maneira mais perfeita, ajudando o crente, enquanto ele pesquisa a página sagrada para inquirir e examinar as Escrituras até que ele tenha um entendimento das verdades reveladas.

Segundo Agostinho: Para explicar como é possível ao homem receber de Deus o conhecimento das verdades eternas, Agostinho elabora a doutrina da iluminação divina. Entender algo inteligivelmente eqüivaleria a extrair da alma sua própria inteligibilidade e nada se poderia conhecer intelectualmente que já não se possuísse antes, de modo infuso.

Não obstante a influência platônica em seu pensamento, Agostinho afasta-se, porém, de Platão ao entender a percepção da alma não como descoberta de uma reminiscência de um conteúdo passado, mas como irradiação divina no presente. A alma não passaria por uma existência anterior, na qual contempla as idéias; ao contrário, existiria uma luz eterna da razão que procede de Deus e atuaria a todo momento, possibilitando o conhecimento das verdades eternas.A iluminação divina, contudo, não dispensa o homem de ter um intelecto próprio. Ela teria a função de tornar o intelecto capaz de pensar corretamente em virtude de uma ordem natural estabelecida por Deus.
No conhecimento das verdades eternas, a própria luz não é vista, mas serve apenas para iluminar as idéias. Um outro tipo de conhecimento seria aquele no qual o homem contempla a luz divina, olhando o próprio “sol”: a experiência mística.A experiência mística revelaria ao homem a existência de Deus e levaria à descoberta dos conhecimentos necessários, eternos e imutáveis existentes na alma. Deus, assim encontrado, é ao mesmo tempo uma realidade imanente e transcendente ao pensamento.

Em Hebreus 6:4-6 diz: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério". Todos que são iluminados e entendem a revelação de Deus contida nas Escrituras e abandonam a fé, certamente não são eleitos, mas apenas simpatizantes da Palavra de Deus. Podemos entender com este texto que, a iluminação é algo para todas as pessoas, mas a aceitação e a permanencia nela é restrita aos eleitos.

A iluminação, como a reveleção estão inter-relacionadas, com a inspiração. A revelação diz respeito à exposição da verdade, a iluminação procura compreender essa verdade descoberta. A revelação prende-se à origem da verdade e à sua transmissão; a inspiração relaciona-se com a recepção e o registro da verdade. A iluminação ocupa-se da posterior apreensão e compreensão da verdade revelada. A inspiração que traz a revelação escrita aos homens não traz em si mesma garantia alguma de que os homens a entendem.É necessário que haja iluminação do coração e da mente. A revelação é uma abertura objetiva; a iluminação é a compreensão subjetiva da revelação; a inspiração é o meio pelo qual a revelação se tornou uma exposição aberta e objetiva. A revelação é o fato da comunicação divina; a inspiração é o meio; a iluminação, o dom de compreender essa comunicação.
Para encerrar gostaria de transcrever algo maravilhoso escrito por Calvino:"E Ele que nos ilumina com sua luz para nos fazer entender as grandezas da bondade de Deus, que em Jesus Cristo possuimos. Tão importante é o Seu ministério que com justiça podemos dizer que Ele é a chave com a qual são abertos para nós os tesouros do reino celestial, e que a Sua iluminação são os olhos do nosso entendimento, que nos hanilitam a contemplar os mencionados tesouros. Por essa causa Ele é agora chamado Penhor e Selo, visto que sela em nosso coração a certeza das promessas. Como também agora Ele é chamado mestre da verdade, autor da luz, fonte da sabedoria, conhecimento e discernimento"( João Calvino, as institutas, 2006,II.4.)

4 comentários:

  1. Luciana Louzada27 novembro, 2007

    A igreja contemporânea precisa de novos Calvinos e remanescentes Luteros...Que sejamos cada vez mais iluminados para tornar possível essa nova reforma...
    Tá de parabéns pelo Blog Lê!

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  2. fala leandrinho ..... bacana d+ ... refúgio na praia agora.... vamo unificar e fazer um balaio de gato só???
    vlw
    um abração daniboy

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  3. Amado, eu sou seminarista... vc pode obter mais informações aqui: http://lindemberg.multiply.com/journal/item/1

    e aqui:
    www.falardevida.blogspot.com

    já te adicionei aos meus links... seria interessante você liberar os comentários do seu blog...

    abraços!

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  4. Amigo meu nome e rafael, certo periodo em 2016 eu tive um sonho em eu sentia muitas dores, e uma voz que aparecia nesse sonho me falou algo muito forte disse assim: voce é que vai ilumina minha teologia. Oque voce a dizer sobre isso?

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