sábado, 26 de junho de 2010

Pregando com excelência

Por Leandro Louzada
Resenha do livro "A Arte de Pregar"

Marinho,Robson. A Arte de Pregar.São Paulo: Ed.Vida Nova.192p,1999.

Robson Moura Marinho já pastoreou diversas igrejas pelo Brasil. Como jornalista foi editor da Casa Publicadora Brasileira e autor de textos para programas evangelísticos pela TV. Como educador, foi diretor de escola de ensino fundamental e professor universitário de Oratória e Homilética, entre outras disciplinas. Tem ministrado diversos seminários e workshops em diferentes assuntos, incluindo Arte de Falar em Públicos e Mídia Evangélica. É Mestre em Teologia e pós-graduado em Psicologia Organizacional pela Faculdade Brasileira de Recursos Humanos. Reside nos EUA, onde cursa o Doutorado em Filosofia nas áreas de Comunicação e Educação na Andrews University, no estado de Michigan.

A Arte de pregar é uma arte que poucas pessoas tem, por faltar o dom e talento nesta área ou pelo simples fato da falta de preparo, estudo e dedicação dos pregadores.
Pregar a palavra de Deus é um grande privilégio por isso é necessário estar apto para tal, o pregador precisa estudar todas as técnicas de oratória para pregar um bom sermão, mas é de extrema relevância lembrar que sem a conexão do orador com o Espírito Santo de Deus o seu sermão apenas será organizado e bem anunciado. A pregação da palavra de Deus é uma mistura entre o humano e divino.
Muitos sermões não tem edificado os seus ouvintes, pois estão vazios sem conteúdo teológico e com uma péssima homilética, são sermões que atrapalham os cultos, são sedativos, levam seus ouvintes ao sono, insípidos, não tem nenhuma profundidade, óbvio, fala tudo aquilo que todos já sabem, indiscreto, não atende ao ambiente que está sendo pregado, reportagem, trás muitas ilustrações menos a palavra de Deus, marketing, usado para promover atrações e anseios da igreja ou do preletor e o metralhadora, aquele que só machuca as pessoas. Por falta de preparo estes sermões estão sendo pregados por quase todos os pregadores da nossa atualidade.
Mas podemos aprender a prepararmos com algumas técnicas da oratória.
A oratória é conhecida e executada a muito tempo desde os tempos bíblicos no AT é notado está pratica podemos ver o profeta Isaías com suas figuras de linguagem, Jeremias com toda sua emoção, Jesus Cristo com tamanha autoridade e o apóstolo Paulo esbanjando toda a sua erudição. Na visão clássica a arte de falar em público começou com Corácio um grego que viveu cinco séculos antes de Jesus. Os filósofos na Grécia antiga usavam a oratória na pratica de seus debates, os Romanos juristas também usavam está arte.
O que vemos hoje é a má utilização da oratória, o que antigamente era bonito, os gritos, as falas fortes e enfeitadas, hoje não mais é, mas pregadores e políticos ainda usam estes efeitos ultrapassados, abusando dos seus ouvintes.
Hoje o importante é falar com conteúdo e ter esse conteúdo organizado. E para agir assim é preciso de três elementos da oratória, que são: Eficiência, Retórica e Eloqüência.
O bom orador precisa ter uma boa técnica de oratória e um estilo de vida que reflita o que ensina. Algumas qualidades são indispensáveis para um bom pregador que são: Caráter, ser verdadeiro e honesto, entusiasmo, ser vibrante e acreditar em tudo que está pregando, determinado, lutar para conseguir ao que almeja, inspiração, ter comunhão com o Deus da palavra, sensibilidade, conseguir enxergar o que é necessário ser pregado, observação, analisar cada fato que ocorre em seu dia-a-dia, capacidade de síntese, dizer apenas o necessário, imaginação e criatividade, adaptar com criatividade e fatos do cotidiano a palavra de Deus, Memória, fixar e organizar mentalmente todo o sermão, Boa aparência, estar limpo e com uma roupa bem cuidada, vocabulário, ser flexível com todos os tipos de auditório e humildade, usar todas essas qualidades e saber que tudo que fizer é por causa de Deus.
Muitas vezes é muito difícil subir no púlpito para pregar, o medo de cometer erros e encarar toda platéia olhando para você.
Devemos enfrentar o medo, pois só assim seremos bons oradores, vale lembrar que não é somente você que sente isso, uma pesquisa feita com três mil pessoas constatou que 41% das pessoas tem esse medo, de falar em público. Devemos enfrentar esse medo, correndo risco, tentando, mesmo sabendo que poderá fracassar, podemos usar a descontração para aliviar o clima tenso de encarar uma platéia, uma coisa essencial é a preparação, estudar e fixar tudo que irá ser falado, manter-se com pensamentos positivos e o mais importante ser perseverante nunca desistir.
Um fator extremamente importante para o bom andamento de uma sermão é o audiovisual, a forma como o pregador expressa as palavra, gestos, o falar pausadamente sem engolir palavras, saber mudar a entonação da voz, ter uma boa dicção, gesticular naturalmente como se estivesse conversando com uma pessoa, olhar sempre para o auditório mostrando afeição pelo mesmo. Muitos sermões são um desastre porque o orador esquece destas coisas.
Também é importante preocupar-se com o esboço do sermão, o pregador que não valoriza um esboço, corre o sério risco de pregar um sermão salada de fruta, com idéias desconectas, sem progressão, com vários assuntos em um mesmo sermão, levando a não compreensão do conteúdo, tornando-se obscuro. O sermão se divide em três partes, introdução, apresentação e conclusão, seguindo essa ordem o sermão ficará pelo menos ordenado.
A introdução é o aperitivo do sermão com ela o ouvinte vai decidir se escuta ou não o sermão, por isso é necessário ter uma boa introdução. A introdução deve ser bastante atrativa, o assunto não deve ser manjado, também deve ser bem breve, a introdução não é o desenvolvimento, por isso tem que ser objetiva sem muitos rodeios, não deve prometer o que não será falado e tão pouco esgotar o assunto, vale lembrar que uma boa introdução é clara e bem preparada, o orador tem que levar tempo para prepará-la, não inventar na hora da mensagem.
Na introdução deve evitar pedir desculpas, caso contrário mostrará que o sermão vai ser um desastre, contar piadas, preencher com notícias e casos, isso demonstre falta de conteúdo, falsa humildade, querer mostrar que não merecia pregar naquele lugar, só para chamar a atenção, falar frases prontas e jargões.
A introdução pode ser feita de diversas formas, existem introduções diretas e indiretas
Se a introdução é importante para o bom andamento do sermão a conclusão é para a finalização de todo conteúdo passado no sermão, ela é como uma sobremesa, como um encerramento de um belo banquete, para os ouvintes sair com um gostinho de doce na boca.
A conclusão é composta por duas partes, o resumo aplicativo que lembrará tudo que foi falado durante o sermão e o apelo que nada mais é que um convite a ação, todo sermão deve ter uma apelo, mesmo que seja somente reflexivo. Na conclusão deve tomar alguns cuidados como, anunciar a conclusão, isso causa um efeito destruidor e pode acontecer de anunciar e não cumprir, outro cuidado é concluir na hora certa, não prolongue o sermão demais, fale no máximo 30 minutos, pare enquanto os ouvintes querem mais e não quando querem menos. E por fim, não inclua na conclusão o que não foi dito durante a introdução e apresentação.
Para obter uma boa conclusão pode ser usada, frases de efeito, música, testemunho, oração ou uma boa ilustração.
Para pregar o que interessa é necessário saber para quem você irá pregar. É importante conhecer o auditório, se é composto por jovens, velhos, mulheres, homens, casados, solteiros. Deve levar em conta como se encontra a vida espiritual do auditório. E acima do que foi dito, é necessário conhecer a palavra de Deus, para pregar a Bíblia tem que conhecê-la.
Dentro do sermão é interessante ilustrar as idéias que você queira passar, pois assim não irá pregar no escuro. Pode ser usado figuras de linguagem, como podemos identificar na Bíblia varias vezes as mesmas sendo usada. O efeito de uma ilustração é surpreendente.
O pregador tem uma excelentíssima missão, que é proclamar a palavra de Deus, ou seja levar o que contém nas Escrituras Sagradas.
Existem três tipos de sermão, o temático, textual e expositivo. O sermão temático o pregador tem a opção de escolher o tema antes do texto Bíblico. O sermão textual é aquele retirado de um pequeno trecho ou um versículo, difere do temático, porque o tema não é pré-estabelecido, mas sai da própria perícope estudada. O sermão expositivo todas as idéias saem do texto e do seu contexto.
Para preparar um bom sermão é necessário explorar o texto proposto, existem algumas ferramentas que podemos usar para explorá-lo. Usando livros, comentários bíblicos, concordâncias, mapas, traduções diversas. Um ponto a ser destacado é a interpretação fidedigna, respeitando as formas de linguagem, contexto histórico, político, social, religioso, interpretação literal e lembrar que a Bíblia é sua própria interprete. Procure um título compatível com o assunto, ache a idéia central e sua proposição.
E por fim, procure aplicar o seu sermão a vida das pessoas, respeitando o contexto que seu público vive, não adianta preparar um belo sermão e não aplicá-lo na vida das pessoas, apenas vai ser um belo sermão.
O livro “A Arte de Pregar” é uma grande obra, que ajuda os pregadores iniciantes a prepararem e anunciarem melhor o seu sermão, contém uma linguagem fácil de ser entendida e prende a nossa atenção na sua leitura. Vale apena ler e aplicar todos os ensinamentos propostos.

2 comentários:

  1. O livro a arte de pregar tem me ensinado muito, ja o li e reli algumas vezes

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