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terça-feira, 21 de abril de 2015

O método de crescimento de Igreja de Paulo: Uma análise de 1 Coríntios 2.1-5


Por Leandro Louzada

                   A cada dia surge um novo movimento trazendo algo inovador para revolucionar as Igrejas locais, organizando determinados ministérios, promovendo eventos, capacitando líderes, com o intuito de atrair pessoas e multiplicar o número de membros.
                   Cristo nos comissionou a ir (indo) por todo mundo pregando o Evangelho a toda criatura. Ele disse aos seus discípulos para aguardarem o cumprimento da profecia de Joel 2, onde o Espírito desceria sobre toda criatura, assim eles poderiam ir, proclamar a Palavra de Deus em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra.
É desejo de Deus e sempre foi de multiplicar o Evangelho, de salvar pessoas, de acrescentá-las na sua Igreja.
                  O grande problema está em utilizar métodos e ferramentas para “burlar” a entrada de pessoas na Igreja de Cristo, onde acabamos confundindo um ministério bem sucedido com o aumento da membresia a todo custo, com Igrejas locais inchadas, cheias de pessoas sem um real encontro com o Cristo ressurreto.
                  Hoje quero falar do modelo de crescimento de Igrejas utilizado por Paulo, sei que passaria muitos dias expondo todo o pensamento e ação de Paulo com relação ao tema proposto, porém quero fazer uma exposição do texto de 1 Coríntios 2.1-5, apenas como um apêndice de tudo que deveria ser dito, talvez nos levando a refletir e produzir algo a partir desta pequena reflexão.

                  A cidade de Corinto era uma das mais importantes da Grécia, situava-se num lugar estratégico entre o continente grego e a península do Peloponeso, existia dos portos naquela região e longa estrada usada para transporte de mercadorias.
                  Era um importante centro cultural e religioso, em Corinto existia diversos templos, sendo o mais importante localizado no Acrocorinto (colina), cujo era o centro de adoração à Afrodite, conhecida na mitologia grega como a deusa do amor, onde ficavam centenas de sacerdotisas cultuais, era o centro da imoralidade sexual da cidade.
                 Também a cidade era um grande centro filosófico, existia os famosos debates filosóficos, como forma de competição, muitas pessoas financiavam seus filósofos preferidos. Em Corinto foi fundado os jogos istmos, em homenagem ao deus pesidon, estes realizados de 2 em 2 anos, só perdia em popularidade para os jogos olímpicos de Atenas.
                Nessa cidade que o apóstolo Paulo chega em sua segunda viagem missionária, antes ele havia passado em Filipos, Tessalônica, Bereia e Atenas. Depois de sair corrido de Tessalônica e Bereia e de ser zombado em Atenas, o apóstolo segue rumo a Corinto (Atos 18), ao chegar em Corinto é recebido por um casal chamados Áquila e Priscila, estes que haviam sido expulsos de Roma, através de um decreto de Cláudio, eles dão casa e trabalho para Paulo, e como de práxis passa a expunha as Escrituras todos os sábados na sinagoga.
                 Paulo pregou na sinagoga de Corinto, obtendo certo sucesso inicial, alcançando judeus e prosélitos. Tício Justo, que morava ao lado da sinagoga, Crispo, o principal da sinagoga e muitos coríntos creram no Senhor. Depois da oposição de alguns Judeus a mensagem, Paulo fez aquilo de costume, lançou-se aos gentios. Recebeu uma visão de Deus que dizia que existia muitas pessoas a serem alcançadas naquela cidade, sendo assim, ele deveria proclamar por que o próprio Deus estaria com ele.
                Paulo fica ali por 18 meses, depois navega para Sríria, Cencréia e Éfeso (todas estas de forma rápida), dali partiu para Antioquia, ficou mais ou menos 1 ano naquela cidade, depois passou confirmando os discípulos nas regiões da galácia e frígia.
                Sua terceira viagem missionária inicia-se em Éfeso, onde fica por 3 anos, nesta cidade recebe notícias não muito boas da Igreja de Corínto. Ele escreve uma carta, porém não temos acesso a ela ( 1 Co 5.9).
               Depois disso a Igreja faz perguntas por escrito (1 Co 7.1); pessoas da casa de Cloe informam a situação da Igreja (1 Co 1.11); enviados de corinto Estáfanas, Fortunato e Acaico, visitam Paulo em Éfeso (1 Co 16.17).
               Paulo precisa escrever sua segunda carta para resolver muitos problemas que ficou sabendo através destas pessoas que estava acontecendo em Corínto:
·         Divisões, culto a personalidade;
·         Injustiça , irmãos levando outros ao tribunal;
·         Imoralidade, um homem possuindo a mulher de seu pai;
·         Alimentos sacrificados aos ídolos;
·         Desordem no culto, problemas de inversão de papéis;
·         Dúvidas sobre o casamento, divórcio, viuvez e ser solteiro;
·         Exaltação do dom de línguas;
·         Descrença na ressurreição;

Diante de todo esse contexto, quero me deter apenas em alguns versos do capítulo 2, precisamente do 1 ao 5.
O apóstolo começa a exortá-los com relação aos brigas e divisões que existiam no meio deles relatados pelos da casa de Cloé, afirmando que apresentou o Evangelho da cruz de Cristo e mais uma vez fala da vocação dos salvos, pessoas escolhidas não por suas posições sociais, porém pela vontade de Deus.
Agora ele passa a mostrar o método de crescimento de Igrejas que utilizou em Corinto. Ele mostra que utilizou a pregação do Evangelho, mas de que forma?

1.      A pregação do Evangelho não consiste em argumentação humana (v.1).

Não utilizou métodos humanos para o crescimento da Igreja de Corinto

Paulo não chegou aos corintos com superioridade de discurso ou conhecimento filosófico, para pregar, implantar na mente deles por repetição, exibir aquilo que estava acima da percepção humana, oculto.

Não utilizou os métodos dos filósofos da época, não exerceu aquilo que os cidadãos ricos faziam com relação aos pobres, implantando algo através da injustiça, imposição, da superioridade.

Hoje existem alguns modelos de crescimento de Igrejas que exaltam os métodos e muitos deles retirados de empresas, onde buscam bater metas, abrir franquias, pragmatismo, deu certo lá, vai dar aqui também. Não é porque utilizo a Bíblia que estou fazendo o certo.

Mark Dever disse: “Não é o pregador que faz uma igreja crescer. Deus pode usá-lo”.

Usamos o argumento de utilizar os métodos humanos para alcançar as pessoas, mas Paulo propõe algo diferente:

2.      A pregação do Evangelho consiste na cruz (v.2,4).

O método de crescimento de Igreja utilizado por Paulo é a Proclamação do Evangelho.

“O Crescimento natural de uma Igreja é obtido com a exposição do Evangelho” (Pr. Daniel Batista).

O problema não é o método, mas qual método utilizar para o crescimento de Igrejas. O apóstolo não quis achar o método mais apropriado, excelente para utilizar naquela Igreja, mas o que utilizou foi a proclamação, o implantar na mente dos corintos o Evangelho e este era a cruz, que foi a autonegação, renunciar a si mesmo, exposição da morte a expiação de Cristo. Mostrar sua morte como um criminoso que era pregado em uma estaca, assim como faziam os Judeus e Romanos ao condenar um criminoso a morte.

John Knox disse: “Sempre louvo a Deus que Cristo Jesus seja sempre pregado” – “O Pastor deve compartilhar o pão da vida a almas famintas e desfalecidas”.

Seu discurso não foi de sedução, não usou de métodos humanos para atrair pessoas, não utilizou a sabedoria e métodos que os corintos utilizavam.

O que ele utilizou, o que consistia o seu método de crescimento de Igrejas?

O Pleno conhecimento da verdade do Evangelho, este qualificado por Deus. Transmitido apenas através do milagre, da capacitação de Deus, ou seja, um poder transformador transmitido pelo próprio Deus.

Charles Spurgeon disse: “Se eu tivesse apenas mais um sermão a pregar antes de morrer, seria a respeito de meu Senhor Jesus Cristo. Penso que, quando chegarmos ao final de nosso ministério, lastimaremos que não tenhamos pregado mais sobre ele”.

O método paulino foi a pregação, instrução e anunciação do Evangelho de Cristo.

Paulo não utilizou métodos humanos para o crescimento da Igreja de Corinto, mas a proclamação e exposição das boas novas de Cristo, utilizando esse método o apóstolo fez aquilo que ao exaltar alguns métodos humanos acabamos perdendo.

3.      A pregação do Evangelho sempre glorifica a Deus e nunca exalta os homens (v.3-5).

O método de crescimento de Igrejas de Paulo sempre glorifica a Deus.
Paulo quando afirma que não utilizou métodos humanos para obter sucesso no crescimento daquela Igreja, ele sabia o que estava falando e sua condição quando foi estar com eles.

Ele utiliza três palavras, respeito/honra, agitação e fragilidade/depressão e falta de energia.
No grego quando fobô e tromô são utilizados juntos é para mostrar a intensidade da ação, ou seja, quando Paulo anunciou o Evangelho foi com grande agitação interior acompanhado de grande respeito e reverência. Ele sabia a responsabilidade que era pregar.
Pregou com grande respeito e agitação interior, mas também com fragilidade física e depressão.

Paulo passou por grandes problemas antes de chegar em Corinto como já mencionei acima, mas para lembrar, o apóstolo foi preso e açoitado em Filipos, saiu corrido de Tessâlonica e Bereia, em Atenas foi zombado e mal recebido. Estava fraco, frágil, com problemas físicos e emocionais.

Sendo assim, a glória não poderia ser dele, ele estava e era incapaz, se utilizasse métodos humanos fracassaria, sua mente e seu corpo estavam debilitados, por isso que o sucesso da sua pregação e do crescimento da Igreja em Corinto, apontavam unicamente para glória de Deus.

John Piper disse: “A Pregação é feita para levar pessoas a adorar o Senhor”

Sua fé, crença e método de crescimento não foi fundamentado em sabedoria humana, mas no poder milagroso transmitido a ele pelo próprio Deus.

Nós pastores somos todos os dias seduzidos por novos movimentos e métodos que aparecem para nos ajudar a fazer com que nossas igrejas cresçam, estudantes de teologia, futuros pastores e ministros planejam durante seus anos de estudo pastorear uma igreja grande, organizada, e muitas vezes quando saem do seminário são tentados a buscar métodos de crescimento alicerçados no saber humano.

A Igreja de Corinto mesmo grande e bem sucedida aos olhos humanos estava no caminho errado, exaltando seus ministros e métodos utilizados pelos filósofos, esquecendo que tanto Apolo, como Paulo e Cefas eram apenas os menores servos da Igreja e mordomos dos mistérios de Deus, nada era procedia deles (1 Co 4.1).

Mike Mackiley, escreveu um livro chamado Plantar Igrejas é para os fracos, quero citar uma parte do escrito para finalizar minha exposição:
“Ouça, se você prega uma grande série de sermões temáticos sobre casamento, finanças ou sexo, sua plantação de igreja pode crescer. Se você é um marqueteiro espertalhão e coloca outdoors atraentes espalhados pela cidade, sua igreja pode crescer rapidamente. Você pode usar camisetas das últimas tendências, tingir de loiro as pontas do cabelo e usar um microfone pendurado no ouvido. Mas, se você prega a Palavra de Deus com fidelidade, poucas pessoas serão tentadas a pensar que você é grande. Se você se levanta no domingo de manhã e explica que Jesus, ao perdoar os pecados do paralítico, conforme Marcos 2, estava  afirmando que era Deus e que a única maneira de perdoar os pecados era que Deus em carne tomasse sobre si mesmo a punição de nossos pecados na cruz, as pessoas terão uma de duas reações: elas louvarão a Deus ou pensarão que você é um completo idiota. Este é o fato. Deus planejou agir desta maneira. Você prega, e pessoas são salvas para a glória de Deus, ou a suposta “sabedoria” delas é confundida, e você parece um retardado, também para glória de Deus”.

O que nós como pastores ou futuros pastores, educadores religiosas, ministros de música faremos diante disso? Continuaremos a buscar os métodos humanos ou o método de Deus?

Os homens e seus métodos não são nada, qual é o método de crescimento de Igrejas de Paulo baseado em 1 Coríntios 2.1-5?

A pregação do Evangelho, sem a utilização dos métodos humanos, visando sempre a glorificação de Deus, que dá o crescimento como, onde e quando quiser!




sábado, 15 de setembro de 2012

30 Conselhos para seminaristas e teólogos iniciantes


Esses conselhos foram publicados em Inglês no livro Falando a verdade em amor: a teologia de John Frame, após uma entrevista que ele deu a P. Andrew Sandlin. A pergunta feita a John Frame foi a seguinte: “Quais conselhos você daria a um seminarista ou teólogo iniciante enquanto eles se preparam para enfrentar seus desafios?”. A resposta foi 30 excelentes conselhos que todo crente deveria escrever nas tábuas do coração, os quais postaremos em duas partes; assim, você poderá meditar em cada ponto por mais tempo.
1. Considere a possibilidade de você não ter sido chamado para ser um teólogo. Tiago 3:1 nos lembra de que nem todos os que estão estudando teologia deveriam procurar ser mestres.
2. Valorize seu relacionamento com Cristo, com sua família e com a igreja mais do que a sua carreira. Você influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As deficiências em sua vida acabarão negando a influência de suas ideias, mesmo as ideias que são verdadeiras.
3. Lembre-se de que a tarefa fundamental da teologia é entender a Bíblia, a Palavra de Deus, e aplicá-la para as necessidades das pessoas. As demais coisas, sofisticação exegética, histórica e linguística, conhecimento da cultura e filosofias, tudo isso deve estar subordinado à tarefa fundamental acima. Se não estiver, você acabará sendo aclamado como um grande historiador, linguista, filósofo ou crítico da cultura, mas não como um teólogo.
4. No cumprimento da tarefa acima, você tem a obrigação de saber argumentar. Pode parecer óbvio, mas muitos teólogos hoje perecem não ter a menor ideia de como fazer isso. Teologia é uma disciplina argumentativa e, por isso, você precisa ter um conhecimento suficiente de lógica e persuasão a fim de construir argumentos que sejam válidos, sadios e persuasivos. Na teologia, não basta demonstrar que você tem conhecimento da história, da cultura ou de outras áreas do saber.
5. Não basta citar pessoas que concordam com você e criticar aquelas que discordam do seu ponto de vista. Você precisa saber formular um argumento em defesa daquilo que crê.
6. Aprenda a escrever e falar de maneira clara e convincente. Os melhores teólogos são capazes de tomar um assunto complexo e explicá-lo numa linguagem simples. Nunca tente demonstrar que você é especialista numa área por meio de uma linguagem obscura e opaca.
7. Cultive uma intensa vida devocional e ignore aqueles que o acusarem de uma falsa piedade. Ore sem cessar. Leia a Bíblia, não apenas como um texto acadêmico. Valorize todas as oportunidades de participar de cultos e reuniões de oração no seminário e aos domingos na igreja local. Dê atenção à sua “formação espiritual”.
8. Um teólogo é essencialmente um pregador, exceto que ele se envolve ocasionalmente com assuntos mais “misteriosos” do que o pregador. Seja um bom pregador. Encontre uma maneira de fazer sua teologia falar aos corações das pessoas.  Encontre uma maneira de apresentar sua teologia de tal modo, que as pessoas ouçam a voz de Deus nela.
9. Seja generoso com seus recursos. Gaste tempo conversando com seus alunos e aqueles que pretendem ser alunos. Doe livros e artigos. Não seja “mão fechada” no que tange a materiais com seus direitos autorais. Dê permissão para seu material ser copiado, sempre que for solicitado. Ministério em primeiro lugar, dinheiro em segundo.
10. Ao criticar outros teólogos, denominações ou movimentos, siga a ética bíblica. Não chame uma pessoa de herege precipitadamente. Não acuse pessoas com termos do tipo “outro evangelho” (aqueles que pregam  um outro evangelho estão sob a maldição de Deus).  Não destrua a reputação das pessoas por meio de uma citação equivocada, fora do contexto, ou no pior sentido possível. Seja gentil e generoso a menos que você tenha razões fortíssimas para ser severo.
11. Numa controvérsia, nunca se posicione, precipitadamente, de um lado do debate. Faça um trabalho analítico de ambas as partes. Considere estas possibilidades: a) os dois lados podem estar olhando para o mesmo assunto de perspectivas diferentes, mas não pensando de maneira diferente; b) ambos os labos podem estar despercebidamente desprezando um ponto que poderia fazê-los pensar em harmonia; c) eles estão tendo dificuldade de se comunicar um com o outro porque estão usando termos que têm sentidos múltiplos; d) pode haver uma terceira alternativa melhor do que as duas posições que estão sendo defendidas; e) ambas as opiniões na controvérsia, mesmo que genuínas, devem ser toleradas na igreja, assim como as diferenças entre vegetarianos e não vegetarianos em Romanos 14.
12. Quando você tiver uma grande ideia, não espere que as pessoas a entendam imediatamente. Não tente promover esta nova ideia a ponto de criar uma facção. Não entre em rivalidade com aqueles que por acaso não vierem a apreciar sua maneira de pensar. Dialogue com eles de maneira gentil, reconhecendo que você pode estar errado e não tem a humildade de reconhecer isso.
13. Não seja impulsivamente crítico com qualquer coisa que venha de outras tradições religiosas. Seja humilde para reconhecer que outras denominações podem ter algo a lhe ensinar. Seja “ensinável” antes de começar a ensiná-los. Tire a trava dos seus olhos.
14. Esteja preparado para avaliar criticamente a sua própria tradição. É uma ilusão pensar que uma tradição religiosa tem todas as verdades ou está sempre certa. Não seja um daqueles teólogos conhecidos por tentar fazer arminianos se transformarem em calvinistas (ou vice-versa).
15. Olhe para os documentos confessionais de sua denominação com a perspectiva correta. Eles são, entre outras coisas, o fruto do trabalho de teólogos e devem ser avaliados e reformados, quando necessário, pela Palavra de Deus. Não assuma que tudo o que está nos símbolos de fé da sua tradição religiosa está decidido para sempre.
16.Não deixe que o ciúme do sucesso de um colega determine as polêmicas nas quais você se envolve, ou o lado que você toma em tais polêmicas. Há muitos que são inclinados a ser completamente críticos de igrejas com mais de cinco mil membros.
17. Não se torne conhecido como um teólogo que atira para todos os lados tentando acertar outros teólogos ou cristãos. Nossos inimigos são: satanás, o mundo e a carne.
18. Mantenha-se vigilante com respeito aos seus instintos sexuais. Mantenha distância de qualquer pornografia na internet e relacionamentos ilícitos. Teólogos não são imunes a nenhum dos pecados nos quais outras pessoas caem.
19. Seja um membro ativo na igreja local. Teólogos precisam dos meios da graça no mesmo tanto que os demais membros da igreja. Isto é especialmente verdadeiro quando você estuda em uma universidade secular ou seminário liberal. Você precisa do suporte de outros crentes para manter uma perspectiva teológica apropriada.
20. Faça seu primeiro curso de teologia num seminário que ensine a Bíblia como Palavra de Deus. Procure familiarizar-se com a teologia das Escrituras antes de se expor (se for o caso) a formas de pensamentos não bíblicas.
21. Aprenda a demonstrar apreciação pela sabedoria, até mesmo a sabedoria teológica, daqueles cristãos totalmente leigos. Não seja um daqueles teólogos que tem sempre algo negativo a dizer quando uma pessoa mais simples descreve sua caminhada com o Senhor.
22. Frequentemente, pessoas simples como estas conhecem a Deus melhor do que você, e você precisa aprender deles, à semelhança do que fez Abraão Kuyper.
23. Não seja um daqueles teólogos que se empolga com toda e qualquer novidade em política, cultura, hermenêutica e até mesmo teologia, e pensa que devemos reconstruir toda nossa teologia para se adequar a cada tendência.
24. Tenha sempre um pé atrás com todas as “tendências” em teologia.  Quando você vir todo mundo entrando no mesmo vagão, seja feminismo, liturgia, pós-modernismo, ou qualquer outro “ismo”, este é o momento para você abrir os olhos e usar sua capacidade crítica. Não embarque em qualquer uma destas tendências antes de fazer a sua sondagem.
25. Ao mesmo tempo, não rejeite uma ideia inovadora apenas por ser inovadora. Mais importante ainda, não rejeite uma ideia simplesmente porque ela não soa como aquilo que você está acostumado a ouvir. Aprenda a discernir entre o “som de uma ideia” e aquilo que a ideia realmente diz.
26. Esteja sempre alerta para argumentos que recorrem a metáforas ou termos técnicos extra bíblicos. Não assuma que todos estes termos têm um sentido perfeitamente claro. Geralmente este não é o caso.
27. Aprenda a ser crítico daqueles que são críticos. Estudiosos liberais ou não cristãos estão propensos a errar como qualquer outro – na verdade, são mais propensos.
28. Respeite os mais velhos. Não existe nada mais prejudicial a um teólogo iniciante do que desprezar aqueles que têm atuado no campo por décadas. Discordar é cabível conquanto você reconheça a maturidade e as contribuições daqueles de quem você discorda. Tenha sempre 1Tm 5:1 no coração.
29. Teólogos iniciantes geralmente se veem como o próximo Lutero. Olhe, é muito provável que Deus não o tenha escolhido para ser o líder de uma nova reforma, como nos dias de Lutero. Mesmo se este for o caso, nunca se intitule como “o reformador”; deixe que os outros decidam se isso é realmente o que você é.
30. Decida cedo em sua carreira (após ter experimentado algumas vezes) no que você irá focar e no que não irá focar. Quando você começar a ter que considerar oportunidades, o saber quando dizer não é muito mais importante do que saber quando dizer sim.
Nunca perca seu senso de humor (não apele). Perder o senso de humor é perder o senso de proporção. Nada é mais importante em teologia do que o senso de proporção.
Copyright © por John Frame, Reformed Theological Seminary. Websiterts.edu
Tradução: Daniel Santos Jr.

Fonte: Site Voltemos ao Evangelho - www.voltemosaoevangelho.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

4 marcas de uma Igreja Viva

Por Leandro Louzada

Sermão pregado na Primeira Igreja Batista no Caiçara - BH, no encontro de confraternização da ABU-BH (Aliança Bíblica Universitária) e gratidão pela Terceira semana do Cristianismo.

Texto base: Atos 2.42-47

Introdução:

O NT nos mostra que o comprometimento do Cristão deve ser com o corpo de Cristo, analogia usada por Paulo, referindo-se a Igreja. O desejo de Jesus, não chamar indivíduos para viverem com Ele isoladamente, mas um povo para si, para edificar a sua Igreja. Como o mesmo Paulo falou a Tito sobre o sacrifício de Cristo assim: “o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.Atos foi escrito por Lucas, que não era discípulo, porem fez uma pesquisa minuciosa sobre a vida de Jesus e sobre o surgimento da igreja, o interessante que no livro de atos, Lucas não apenas conta os fatos, mas em determinado momento ela participa dos fatos. O livro foi escrito a pedido de Teófilo, alguns dizem que era uma pessoa, outros que era para os amigos de Deus, mas prefiro ficar com uma pessoa.No capitulo 1 Lucas mostra que Jesus subiu aos céus, mas prometeu enviar o ES, e este daria poder aos discípulos de evangelizarem toda terra. No capítulo 2 relata a descida do ES no dia de pentecoste, (uma festa que acontecia sete semanas depois da páscoa e iniciava no domingo), um evento histórico e missionário. Pedro faz seu primeiro discurso onde três mil pessoas foram alcançadas por Jesus. Logo em seguida vem o relato de como vivia a igreja que acabará de nascer.A Igreja primitiva, a qual recebeu o ES no dia de pentecostes nos mostra quais são as marcas de uma Igreja viva. Antes de entrarmos nas marcas, precisamos lembrar que a Igreja primitiva era uma Igreja cheia de problemas, como hipocrisia, rivalidade, imoralidade e as heresias perturbavam a Igreja, assim como a Igreja do século XXI.Porém a Igreja primitiva mesmo diante de tantos problemas era profundamente guiada e inspirada pelo Espírito Santo.Existiam 4 marcas na Igreja primitiva que a tornava uma igreja viva. Por isso quero compartilhar com vocês as 4 marcas de uma Igreja viva, são elas:

1) Dedicação no ensino

“Eles se dedicavam no ensino dos apóstolos” – Atos 2.42
John Stott referindo a este texto disse: “O Espírito Santo , por assim dizer, abriu uma escola em Jerusalém naquele dia. Seus professores eram os apóstolos, indicados e treinados por Jesus. E havia três mil alunos no jardim de infância”.
1.1) A conversão não despreza o intelecto
Os salvos não acharam que porque receberam o Espírito Santo, somente Ele iria ensiná-los, porém eles se assentaram aos pés dos apóstolos para aprenderem tudo que podiam.
1.2) O ensino deve ser o dos apóstolosComo seguir o ensino dos apóstolos se hoje não existe mais apóstolos?
Essa resposta é muito simples, o ensino dos apóstolos é o ensino de Jesus que está nos quatro evangelhos e posteriormente nos livros seguintes que compõem o Novo Testamento. Ensino que não desprezava o AT, porém, mostrava que a sua mensagem foi cumprida em Jesus Cristo.
1.3) Como está seu estudo da Palavra e como você tem ensinado a Palavra?
Nas igrejas existem muitos analfabetos Bíblicos. O grande problema está no discipulado das igrejas, as pessoas são chamadas para a salvação, fazem uma oração de “aceitação de Jesus”, batizadas e depois disso não recebem um acompanhamento. Não são ensinadas as bases da fé: Quem é Deus, o pecado, homem, a igreja, Jesus, Espírito Santo, trindade, salvação, os fins dos tempos. O que falta na Igreja Evangélica Brasileira é o cumprimento da ordem de Jesus: "Vão e façam discipulos de todas as nações... (Mt 28.19).
Precisamos com urgência estudarmos a Bíblia, não adianta ler sem entender, por isso precisamos de literaturas que nos ajudaram a compreender os textos Bíblicos. Leia John Stott, John Piper, Calvino, Paul Washer, Hernandes Dias Lopes, C.H.Spurgeon, C.S.Lewis, Phillip Yancey, Russel Shedd…
A falta de prepare Bíblico é o resultado de pregações superficiais do Evangelho, juntamente com péssima produção literária e musical. Essa semana ouvi uma música que dizia: Gostar de mim, gostar de mim, eu vou fazer de tudo pra Jesus gostar de mim. Uma música totalmente anti-bíblica, pois nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro. Yancey disse que "não a nada que possamos fazer para Jesus nos amar mais e não a nada que deixemos de fazer para Jesus nos amar menos".
As universidades foram criadas para preparação teológica dos pastores. Oxford, Cambrigde, Paris, Bolonha, Manchester, Princeton, Havard...
Jesus disse aos fariseus: Errais pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus e mais o povo perece por falta de conhecimento.Existem salvos que não estudam a Palavra de Deus, por displicência ou por não ter quem ensine. E outros ensinam, mas um outro evangelho que veio de homens ou anjos, menos de Deus. Leia depois: Jeremias 23.21-40

FT: A dedicação do ensino dos apóstolos é a primeira marca de uma Igreja Viva, a segunda é:

2) A comunhão

Essa é uma palavra grega famosa, KOINONIA, ela dá testemunho de duas verdades: a comunhão interior e a exterior.
2.1) A comunhão interior
A comunhão interior só pode ser obtida mediante a graça de Deus, Deus vem e passa habitar em nós. João disse: “Nossa comunhão é com o Pai, e com o seu Filho Jesus” (1 Jo 1.3) e o apóstolo Paulo acrescentou: “E a comunhão com o Espírito Santo” (2Co 13.14). Nossa comunhão interior é uma comunhão trinitária. Nós podemos estarmos separados na nacionalidade, etnia, cultura, raça, gênero e idade, mas estamos unidos pelo mesmo Pai, Filho e Espírito Santo. Nossa participação comum na sua graça que nos faz um.
2.2) A comunhão exterior
Lucas quis enfatizar este sentido da palavra KOINONIA, ele diz: “Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade” (Atos 2.44-45).Os primeiros Cristãos amavam uns aos outros, não é surpresa pois o primeiro fruto de espírito é o amor. Eles vendiam e dividiam seus bens uns com os outros, não existia pessoas passando necessidades, uns supriam os outros.A Igreja cheia do Espírito Santo de Deus é uma Igreja generosa. A generosidade sempre foi uma marca do povo de Deus.
2.3) Como está a minha comunhão com Deus e com o próximo?
Tenho vivenciado uma plena comunhão com a trindade? Como está minha generosidade, tenho ajudado os irmãos que necessitam?
A teologia da prosperidade acabou com a comunhão nas igrejas, pois ela exalta o individuo e não o corpo de Cristo. Pessoas vão a igreja para receber a sua benção e não desfrutar a comunhão com Deus e o próximo. Uma outra coisa que precisamos lembrar é que pessoas que estão ou não vinculadas em alguma religião, fazem doações para ajudar os necessitados, ou seja, não precisa ser cristão para ajudar alguém. Mas existe uma diferença gigantesca na contribuição cristã, quando um cristão contribui ele faz para a glorificação do nome de Deus e não para receber elogios como: “Nossa que homem piedoso e bom”. A contribuição também não deve ser feita por obrigação, como muitos empresários fazem para pagar menos impostos ou por causa da persuasão de alguém.
A chave da contribuição está em II Co 9.7 que diz: Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.E essa contribuição é para glória do nome de Deus.
Uma agencia missionária fez uma pesquisa sobre quanto cada cristão investe em missões por ano, o resultado foi R$ 1,50.
Hebreus 13.16 diz: “Não se esqueça de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus agrada”

FT: A dedicação do ensino dos apóstolos é a primeira marca de uma Igreja Viva, a segunda é a comunhão, a terceira marca é:

3)A adoração

"Eles se dedicavam... ao partir do pão e às orações” (Atos 2.42).O partir do pão é uma clara alusão a ceia do Senhor, seguidamente de uma refeição comunitária e as orações é um alusão aos cultos e reuniões de oração. A adoração da Igreja primitiva se relacionava em dois aspectos, adoração formal e informal.
3.1) Adoração formal (V.46)
Os primeiros Cristãos não abandonaram de imediato a igreja institucional, eles ansiavam por reformá-la com o evangelho.
3.2) Adoração informal
Eles também se reuniam nas casas, fazendo cultos informais, cultos domésticos, grupos de comunhão.
3.3) Como estão os nossos cultos? São feitos para adoração a Deus ou ao homem? Estamos nos reunindo informalmente em nossas casas ou grupos de comunhão?
John Piper disse que a missão da igreja é a adoração e por causa disso existe a evangelização. A missão de todos os indivíduos é glorificar o nome de Jesus Cristo.
Hoje vemos o contrario, pastores são glorificados e se alto glorificam, a liturgia do culto é totalmente voltada para o individuo, com campanhas, orações de curas e milagres, entrega dos dízimos e ofertas como forma de retribuição financeira, músicas na primeira pessoa do singular. Um antropocentrismo diabólico. Alguns meses atrás comecei a reparar a forma como lideres e liderados tratam as pessoas dentro da igreja formal, e fiquei espantado, escrevi algumas atitudes não cristãs que afastam as pessoas da igreja, pois descentraliza o culto a Deus à pessoa do líder, são elas:
1º Chame a atenção das pessoas na frente da igreja, si possível use o microfone;
2º Trate-as com indiferença, agride-as com palavras;
3º Centralize a atenção das pessoas no pastor;
4º Não ande no meio do povo;
5º Exponha publicamente os problemas das pessoas da igreja;
6º Fique indiferente na celebração do culto;
7º Pregue aquilo que você não vive;
8º Não valorize as pessoas.
Todos estes itens definem a má compreensão do que é prestar um culto a Deus. Mais ou menos o que a igreja de Corinto estava fazendo com Paulo e Apolo. Por isso que Paulo diz em 1Co 4.1, que eles são apenas ministros de Cristo e despenseiros dos mistério de Deus. Uperetas e oikosnomos. Aquele que leva o livro da lei e mordomos de Deus. O pastor e doutor Franklin Ferreira, disse que precisamos priorizar a celebração do culto, com uma boa palavra e louvor, pois o culto é o ensaio do que irá acontecer no céu. Nós vamos adorar o Senhor continuamente.Mas não só no culto formal devemos adorá-lo, a nossa vida deve ser de adoração, precisamos entender que tudo que fazemos tem que ser para glória de Deus.

FT: A dedicação do ensino dos apóstolos é a primeira marca de uma Igreja Viva, a segunda é a comunhão, a terceira é a adoração e a quarta é:

4)A evangelização

"E o Senhor lhes acrescentava diariamente aqueles que iam sendo salvos” (Atos 2.47).Até agora vimos 3 marcas que estão relacionadas ao interior da igreja, e não nos diz nada sobre a proclamação do Evangelho ao mundo. Mas a igreja primitiva estava completamente comprometida com missões. Este texto nos ensina três aspectos da evangelização da igreja primitiva:
4.1) O Senhor estava comprometido na prática do evangelismo
“O Senhor ia acrescentando...
4.2) A salvação está ligada a filiação a Igreja
“os que iam sendo salvos...
4.3) O Evangelismo não ocasional, mas diário
Dia após dia os salvos eram acrescentados.Os cristãos ainda não conseguiram compreender o que é evangelismo, existem diversos cursos para ensinar como evangelizar, as 4 leis espirituais, o plano de salvação, a entrega do folheto no ônibus. Uma coisa que sempre me deixou irritado foi que quando participava de um grupo de evangelismo, nós saiamos pelas ruas pregando e pessoas se convertiam, muitas vezes eram forçadas a isso, fazendo aquela conhecida oração de entrega, que nada mais é que a substituição da soberania de Deus, pela imposição humana. Mas as que eram de fato chamadas por Deus, nunca mais eram vistas por nós, ou seja, a idéia de evangelismo era pregar, fazer oração de entrega e a pessoa se virava para arrumar uma igreja.O texto diz que os que iam sendo salvos eram acrescentados, ou seja, o evangelismo está ligado com a integração dos marginalizados no Reino de Deus.John Piper expondo o texto de Romanos 10.13-15, disse que a salvação está ligada a cinco pontos:
1° Invocar a Cristo;
2° Crer nele;
3° Ouvir o Evangelho;
4° Alguém que pregue a Cristo;
5° Deus enviar o pregador.

Resumo aplicativo: A dedicação do ensino dos apóstolos é a primeira marca de uma Igreja Viva, a segunda é a comunhão, a terceira é a adoração e a quarta é a evangelização.

Conclusão: Esta era uma Igreja avivada pelo ES, e por causa disso ela tinha estas 4 marcas. Hoje nós buscamos muito o avivamento, mas não conseguimos compreender o que é, Lucas nos ensina através deste pequeno texto o que é um verdadeiro avivamento. Não marcado no calendário, mas vindo genuinamente de Deus e quando vem muda por completo as pessoas e suas comunidades.
A igreja não é:
a) A igreja não é um clube, onde cada um paga sua mensalidade e vive isoladamente;
b) A igreja não é um abrigo de salvos, onde cada um busca os seus próprios interesses;
c) A igreja não é uma prestadora de serviços, onde só a procuro para atender minhas necessidades;
d) A igreja não é um supermercado, onde eu vou procurar aquilo que eu gosto;
e) A igreja não é uma casa de shows, onde sou apenas um espectador;
F) A igreja é uma família, onde temos o mesmo Pai, Filho e Espírito Santo e somos todos irmãos. Uma comunidade que ensina a Palavra de Deus, que supre as necessidades dos irmãos, que pratica a adoração no templo e no dia-a- dia e que evangeliza Biblicamente.
O ensino, a comunhão, a adoração e o evangelismo são todos feitos para glória de Deus. Que todos vocês continuem como uma igreja viva nas suas universidades, igrejas, família e no meio dos amigos, pois assim vocês verdadeiramente estarão glorificando o nome de Deus.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Teologia da Prosperidade

Por Leandro Louzada
Cansei de ouvir pregadores da prosperidade dizerem que precisamos decretar a nossa vitória e visualizar a nossa benção material;
Cansei de ouvir pregadores da prosperidade gritarem para Deus reivindicando suas petições;
Cansei de ouvir pregadores da prosperidade dizendo que “salário mínimo”não é coisa de crente;
Cansei dessa teologia que defende que o crente deve morar em mansão, ter carrões, muito dinheiro e nunca ficar doente;
Cansei dessa teologia que valoriza mais as coisas terrenas do que aquelas que são do céu;
Cansei dessa teologia da barganha com Deus, onde você contribui e Ele devolve com juros, correção monetária e muito lucro;
Cansei dessa teologia de fé na fé;
Cansei dessa teologia que ama mais o dinheiro que o próximo;
Cansei dessa teologia consumista, utilitarista e que trata Deus como o Papai Noel;
Cansei dessa teologia da ganância, cujo principal objetivo é fazer com que as pessoas atinjam a independência financeira;
Cansei dessa teologia da auto-ajuda, auto-estima e auto-aceitação;
Cansei dessa teologia que argumenta que Jesus nunca foi pobre;
Cansei dessa teologia que tem criado uma geração de decepcionados nas igrejas;
Cansei dessa teologia pregada e defendida por Valnice Milhomens, Edir Macedo, R.R. Soares, Robson Rodovalho, Oral Roberts, T.L. Osborn, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, etc, etc.
Cansei da teologia da prosperidade pois a Bíblia diz: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam“. (Mt 6:19-20)Cansei, não da prosperidade - que é dádiva de Deus, mas da teologia que faz dela o principal foco da vida cristã, em detrimento da salvação edas bênçãos espirituais. Se você também já cansou de tudo isso, demonstre sua indignação.
Autor Desconhecido

terça-feira, 27 de novembro de 2007

A iluminação

Por Leandro Louzada

A iluminação é o ato do Espírito Santo capacitar o crente para entender a verdade dada por REVELAÇÃO e escrita por INSPIRAÇÃO. Paulo diz: "Ora o homem natural não compreendem as coisas do espírito de Deus..." (I Co.2:14). Este homem natural é o homem não regenerado na sua melhor forma, é o homem a quem a filosofia grega elogiava. O homem referido aqui é aquele educado no alto de seus poderes intelectuais, mas destituído do Espírito de Deus. Este homem, cujo poder de compreensão está limitado ao exercício de sua razão, não admite estas coisas espirituais em seu coração. A razão desta rejeição é que elas são loucura para ele. Paulo afirma a impossibilidade de conhecê-las, e a sua razão, porque elas se discernem espiritualmente. Isto é, o inquirir e o analisar da verdade espiritual são dados na energia do Espírito Santo que ilumina a página sagrada da Escritura para o crente. E "Aquele que é espiritual" julga todas as coisas (I Co.2:15). A palavra "JULGA" é a tradução da mesma palavra grega "DISCERNE" do versículo 14. O crente controlado pelo Espírito investiga, pesquisa e examina a Bíblia e chega a uma apreciação e compreensão de seu conteúdo.
João Calvino em suas Institutas, no capitulo primeiro diz:
" Certamente bem outra deve ser a sobriedade dos filhos de Deus, os quais se sentem privados de toda luz da verdade quando não contam com o Espírito de Deus; não ignoram, porém, que a palavra é o instrumento pelo qual o Senhor concede aos fiéis a iluminação do seu Espírito. Porque eles não conhecem outro Espírito que não aquele que habitou os apóstolos e que falou por meio deles. E para ouvir as suas palavras os fiéis são sempre chamados"
Istoé, nunca entenderemos as Escrituras se não tivermos a iluminação do Espírito de Deus. Pois ele que fala em nossos corações, o Espírito de Deus que nos guia e mostra o verdadeiro sentido das Escrituras.Portanto, o que Deus comunica ao homem é o perfeito conhecimento de Si Mesmo e de Suas atividades através do processo do Espírito Santo, que desvenda as verdades que o homem jamais poderia descobrir através da razão humana; mostrando aos escritores da Escritura as palavras exatas de seus próprios vocabulários que irão expressar as verdades desvendadas de maneira mais perfeita, ajudando o crente, enquanto ele pesquisa a página sagrada para inquirir e examinar as Escrituras até que ele tenha um entendimento das verdades reveladas.

Segundo Agostinho: Para explicar como é possível ao homem receber de Deus o conhecimento das verdades eternas, Agostinho elabora a doutrina da iluminação divina. Entender algo inteligivelmente eqüivaleria a extrair da alma sua própria inteligibilidade e nada se poderia conhecer intelectualmente que já não se possuísse antes, de modo infuso.

Não obstante a influência platônica em seu pensamento, Agostinho afasta-se, porém, de Platão ao entender a percepção da alma não como descoberta de uma reminiscência de um conteúdo passado, mas como irradiação divina no presente. A alma não passaria por uma existência anterior, na qual contempla as idéias; ao contrário, existiria uma luz eterna da razão que procede de Deus e atuaria a todo momento, possibilitando o conhecimento das verdades eternas.A iluminação divina, contudo, não dispensa o homem de ter um intelecto próprio. Ela teria a função de tornar o intelecto capaz de pensar corretamente em virtude de uma ordem natural estabelecida por Deus.
No conhecimento das verdades eternas, a própria luz não é vista, mas serve apenas para iluminar as idéias. Um outro tipo de conhecimento seria aquele no qual o homem contempla a luz divina, olhando o próprio “sol”: a experiência mística.A experiência mística revelaria ao homem a existência de Deus e levaria à descoberta dos conhecimentos necessários, eternos e imutáveis existentes na alma. Deus, assim encontrado, é ao mesmo tempo uma realidade imanente e transcendente ao pensamento.

Em Hebreus 6:4-6 diz: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério". Todos que são iluminados e entendem a revelação de Deus contida nas Escrituras e abandonam a fé, certamente não são eleitos, mas apenas simpatizantes da Palavra de Deus. Podemos entender com este texto que, a iluminação é algo para todas as pessoas, mas a aceitação e a permanencia nela é restrita aos eleitos.

A iluminação, como a reveleção estão inter-relacionadas, com a inspiração. A revelação diz respeito à exposição da verdade, a iluminação procura compreender essa verdade descoberta. A revelação prende-se à origem da verdade e à sua transmissão; a inspiração relaciona-se com a recepção e o registro da verdade. A iluminação ocupa-se da posterior apreensão e compreensão da verdade revelada. A inspiração que traz a revelação escrita aos homens não traz em si mesma garantia alguma de que os homens a entendem.É necessário que haja iluminação do coração e da mente. A revelação é uma abertura objetiva; a iluminação é a compreensão subjetiva da revelação; a inspiração é o meio pelo qual a revelação se tornou uma exposição aberta e objetiva. A revelação é o fato da comunicação divina; a inspiração é o meio; a iluminação, o dom de compreender essa comunicação.
Para encerrar gostaria de transcrever algo maravilhoso escrito por Calvino:"E Ele que nos ilumina com sua luz para nos fazer entender as grandezas da bondade de Deus, que em Jesus Cristo possuimos. Tão importante é o Seu ministério que com justiça podemos dizer que Ele é a chave com a qual são abertos para nós os tesouros do reino celestial, e que a Sua iluminação são os olhos do nosso entendimento, que nos hanilitam a contemplar os mencionados tesouros. Por essa causa Ele é agora chamado Penhor e Selo, visto que sela em nosso coração a certeza das promessas. Como também agora Ele é chamado mestre da verdade, autor da luz, fonte da sabedoria, conhecimento e discernimento"( João Calvino, as institutas, 2006,II.4.)